Especial 21 de Março: dia mundial da poesia - Homenagem do grupo Luna e Amigos

A poesia fez aniversário - dia 14/03 no Brasil e dia 21/03 pelo mundo, embora eu ache que todo dia, toda hora, todo instante é hora de poesia.

Preparamos este especial do AconteceuLunas para a última semana de março visando colher os poemas postados no grupo durante todo o mês. E escolhemos um tema: POESIA NOSSA DE TODOS OS DIAS, pedimos aos poetas e escritores do grupo que estendessem seus olhares, suas almas, para muito além do trivial - que fossemos buscar inspiração no cotidiano, na atualidade, nas coisas que acontecem no dia a dia pelo nosso País e pelo mundo.

O poeta é o porta-voz desses fatos. A favor ou contra, nas poesias a seguir veremos os poetas do Luna&Amigos cantando as dores dos desabrigados políticos, econômicos, financeiros; contra os dissolutos de todas as espécies e estirpes; a favor de todas as vítimas; contra o terrorismo mundial e a violência que nos assola.

Contra nós mesmo - contra o nosso egoísmo.

Enfim, falando sobre poesia, em poesia, o que guarda em seu coração, sua alma, sua realidade, seus sonhos, seu idealismo em razão do mundo e do amor pelos seres humanos.

Não nos prendemos a qualquer escola literária - apenas ao conteúdo, ao sentir que foi repassado pelo escritor. Da sua essência em si.


BONECOS DE PANO
Delasnieve Dapet

Eis-me, de novo, matutando sobre a vida...
Vejo tanta banalidade:
Se desdobram para ver qual o pior,
O governo, políticos, povo, sociedade.

De repente é como se nada valesse a pena.
Questiono se a própria vida
Vale algo?
São tantos os desmandos que
Acho que nada vale absolutamente nada!

O homem estendido no chão, ensangüentado,
a árvore cortada pela raiz,
dobrados em si,
como bonecos de pano,
me dá a exata noção da nossa precariedade!

Uma bala perdida;
Um carro desgovernado;
Adolescentes bêbados;
Governo sem rota, sem prumo;
Ladrões saindo pela ladrão...
Corram.... a policia vem chegando!

Fatos assim
Nos mostram no dia a dia
A nossa não serventia.

E como bonecos de pano,
somos jogados, ceifados,
quando alguém supõe que já não servimos.

A nossa revelia nascemos.
Não temos escolha.
Num momento supremos somos gerados,
crescemos e morremos como árvores
que tombam cortadas, jogadas, queimadas.

Eis-nos no limbo, ao léu.
No céu aberto em exíguo espaço
Reclamando nossos momentos tão curtos,
Que acabam em espasmos,
No surdo barulho da morte...

Descartados sem o menor cuidado,
Sem piedade,
Sem ninguém,
Amassado, amorfo...
Morto - já não vota nem escolhe,
Pobre humano!

Delasnieve Daspet

www.lunaeamigos.com.br

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Tropofonia do IMEL ganha prêmio Roquette Pinto de rádio-arte!

Os Grandes projetos na Amazônia e seus impactos