A cada ano a situação ambiental piora nas férias de verão no litoral brasileiro



Gerhard Erich Boehme*

Agora Floripa deve estar bem pior em termos de congestionamento, poluição e sujeira, violência, etc., e a questão é que se tantos querem passar momentos maravilhosos na Ilha, então deve-se cobrar por isso, ampliar o número de padágios e aumentar os impostos, entre outra medidas, pois nada melhor que o mercado para direcionar o desenvolvimento a outros pontos igualmente maravilhosos ao Norte e ao Sul de Floripa, na Ilha ou no continente, ao Norte até os limites com o Parque Nacional de Cabo Orange, onde temos o extremo norte do litoral brasileiro com ecossistemas característicos das Guianas, numa paisagem bastante incomum e exuberante. Onde encontramos o Rio Oiapoque, ou até ao Sul, até encontrarmos o arroio Chuí.

É uma sucessão de maravilhas e igualmente de crimes ambientais pelo fato de não sabermos conciliar a questão ambiental com o mercado, uma vez que estes não são conflitantes como querem nos fazer acreditar os ideologicamente estressados, mas sim complementares e interdependentes. Temos um potencial turístico fantástico, principalmente no interior do Brasil, mas no verão, convenhamos os 7.491 km de litoral nos oferecem praias maravilhosas, é um atrativo a mais. Floripa então: é especial.

E os recursos assim advindos devem igualmente conferir melhores condições em Floripa, como saneamento, transporte público de qualidade, etc e usw.. É triste dizer isso, mas devemos ser pragmáticos, o número de empregos gerados seria incrivelmente maior. E todos ganhariam em conforto e qualidade de vida. Não seria a hora de se ter uma linha de bonde ou metrô circulando a Ilha? E o ciclismo? E assim desestimular o uso de automóveis, principalmente através do bolso? E os serviços públicos? Na área da saúde em, especial? Como está o atendimento? E isso mesmo considerando que em Santa Catarina estão muitos referenciais na área da Saúde, como o HEMOSC, que não é apenas referência nacional, mas também internacional. Mas existem limites.

Nada melhor que o mercado para regular a questão da oferta e da procura. Mas dizer isso no Brasil atual, é como diz o Gustavo Franco em um dos melhores artigos escritos sobre o Brasil, é ser subversivo.

Aqui destaco que este artigo continua a ser um dos melhores já escritos sobre a realidade brasileira, de leitura obrigatória de todos os brasileiros.

“Sociedade de Privilégios” de Gustavo Franco
http://veja.abril.com.br/110902/em_foco.html

E no texto Gustavo Franco dá, como dizem os cariocas, o bizú, ou os paulistas, a dica, aqui no Paraná a deixa da solução para esta sociedade de privilégios, a questão é que hoje o brasileiro está sendo motivado a não estudar, a não empreender, a não desenvolver seus dons e talentos, a não valorizar o mérito, mas sim a transferir responsabilidades ao Estado, ou melhor, por conta de ideologias superadas pelo tempo e pelos resultados que produziram onde quer que tenham sido tentadas, a transferir responsabilidades a uma nomeklatura que diz apresentar a solução dos problemas dos brasileiros, formada por oportunistas e por sonhadores. Muito embora muitos sonhadores tenham caído na real e em épocas distintas abandonado o barco, ou melhor o partido.

Infelizmente em Floripa são recorrentes os crimes ambientais. É o que se observa em cada lugar. Floripa é apenas um exemplo, é emblemática, com certeza, principalmente pelas maravilhas que oferece. Lá elas chocam. e os passivos ambientais infernizam. Mas é uma realidade que se observa em odas as cidades que vivem do turismo no Brasil.

Infelizmente a mentalidade do brasileiro agora é de uma pseudo igualdade, só que ela nivela todos por baixo, um dia ainda haveremos de entender que é a classe média que mais gera empregos, riqueza e renda no Brasil. E temos ainda a questão da fuga de turistas estrangeiros para outros lugares, onde a qualidade do turismo é melhor, pois visitar favellas só passa na cabeça de oportunistas e irresponsáveis. Ou o turismo sexual na cabeça de pervertidos e da esquerda festiva.

E vale lembrar que por conta da violência e baixa qualidade de nosso turismo perdemos mais de 30% de nosso PIB. É um volume significativo de recursos, mas isso exige trabalho, muito trabalho, a começar por termos um Programa 8S nacional, assim como os japoneses tiveram os seus 5S para fazer frente a um Japão destruído pela guerra e falta de recursos naturais, aqui pela ilusão e corrupção e a falta de uma boa educação fundametal. A questão é que necessitamos dos 3S adicionais, pois estes estão no DNA dos japoneses, alemães, judeus, etc., mas nos faltam, e muito.

Mas para explicar melhor esta questão apresento o texto em anexo e deixo a palavra com o Professor Kanitz e o genial Luciano Pires:

http://www.kanitz.com.br/impublicaveis/defesa_da_classe.asp

O qual foi comentado pelo Luciano Pires em um de seus Podcasts de sucesso.
http://www.lucianopires.com.br/cafebrasil/podcast/?pagina=/2010/01/14/falando-sobre-nacao/

O texto desse programa, com poesias e letras das músicas pode ser encontrado no DLOG CAFÉ BRASIL, publicado em www.lucianopires.com.br/dlog Vale a pena acompanhar o áudio.

Luciano Pires é hoje um dos mais talentosos comunicadores do Brasil. Principalmente pelas músicas que nos apresenta, o melhor. Uma boa música que o brasieliro não dá mais valor, agora vale a música escatológica. E assim elegemos os nossos representantes na Câmara.


E quando cito que "Nada melhor que o mercado para regular a questão da oferta e da procura", para entender esta questão recomendo que reflitam sobre os indicadores de liberdade, com destaque aos d'The Heritage Foundation:
http://www.heritage.org/index/ranking.aspx

E temos o desperdício, agora reflitam comigo, é o não irracional a exploração das cidades no litoral? Temos um verão que vai de 21 de Dezembro e termina em 20 de Março. E ele na realidade começa antes e termina depois. E quantos dias são dedicados às férias escolares, que causam a maior demanda nestas regiões? Nem mesmo aproveitamos o verão na sua plenitude. E não deveríamos ter alternativas ao feriado de Carnaval?

E toda esta estrutura? Agora reflitam comigo, ela é ou não sub-utilizada no restante do ano? Além do mercado, devemos ter políticas públicas que venham a fomentar o turismo em outras épocas do ano. Mas para isso deveríamos ter bons profissionais nas Secretarias Municipais e Estaduais e no Ministério do Turismo, principalmenten neste último, onde o que vemos é o compromisso pelo turismo sexual, dadas as festas patrocianas em motéis pelo atual ministro e as páginas policiais, inclusive no exterior; ou pelas palavras de uma ex-Ministra do Turismo.

Vamos agora ao litoral Sul de São Paulo, temos cidades históricas, inclusive entre as mais antigas do Brasil, nenhuma possui seu Plano Diretor efetivamente implementado, se falarmos em Agenda 21 Local, não saberão dizer do que se trata, ou em se ter as Secretarias do Meio Ambiente e de Turismo certificadas em conformidade com a ISO 14001? E o conjunto arquitetônico de Iguape, qual a razão de não ser preservado e explorado? Parati e Búzius atrai turistas do mundo inteiro, qual a razão de Iguape não atrair nem mesmo paulistas ou curitibanos? Sem contar que temos um dos maiores passivos no Brasil, o da titulação da propriedade, que assim promove a insegurança jurídica e o desincentivo a investimentos. Ilha Comprida é um exemplo típico. Isso afasta turistas e investidores.

Em tempo, somente Gramado/RS possui certificação, mas segundo a ISO 9001.

Algumas questões são fundamentais:

Devemos ter um ministro que seja competente e saiba valorizar o empreendedorismo.
Devemos ter nas cidades túrísticas incubadoras, a exemplo das existentes na área de C&T, mas voltadas ao turismo e esportes, como na área de gastronomia, pousadas - preferencialmente ligadas a universidades, esportes - com destaque aos que conciliam a natureza, como trilhas e ciclismo, cultura, com destaque ao folclore e artezanato.
Deve ser exigido que as cidades turísticas tenham seus Planos Diretores e Agenda 21 Local, se possível que venhamos a ter um processo de certificação para tal.
Que as Secretarias de Meio Ambiente e Turismo sejam certificadas em conformidade com a ISO 14001 e os prefeitos sejam a liderança máxima no processo de implantação, implementação e manutenção dos sistemas de gestã ambiental e assim auditados.
Que sejam desenvolvidas práticas de gestão apropriadas na área de segurança pública, em especial para os turistas estrangeiros, no campo da prevenção ao crime, que é atividade subsidiária do Estado, estas desenvovidas pelas Guardas Municipais; Brigadas, Forças e Polícia Militares, Polícias Ambientais e Polícias Rodoviárias, subsidiárias, pois a prevenção começa com o cidadão e passa por entidades privadas como de vigilância, escolta, guarda-parques, proteção a executivos, etc.. Igulamente devemos ter a polícia judiciária adequada a esta realidade, onde a polícia judiciária é função do Estado, é função privativa de Estado, portanto deveria ser exemplar, posto que é realizada pela Polícia Federal e nos Estados pela Polícias Civis e Técnico-científicas. Assim quem sabe podemos oferecer serviços de qualidade na prevenção e no campo da justiça, principalmente nos seus primeiros passos. Infelizmente não temos no campo da justiça uma polícia judiciária especializada a turistas. E isso é procupante, pois a impunidade é a melhor contra-propaganda que podemos fazer, principalmente no exterior.
E devemos mudar a mentalidade dos que atuam e potencialmente possam atuar na área do turismo ou ligada ao turista, pois ele é fonte de renda, riqueza e emprego. E para mudarmos a nossa mentalidade devemos primeiro entender a mentalidade do turista estrangeiro, em especial dos que mais viajam pelo mundo como os japoneses, alemães e norte-americanos.
Assegurar que todas as propriedades sejam tituladas, pois não é aceitável que, com a tecnologia que dispomos, se tenha esta insegurança jurídica no Brasil de forma tão assustadora.

Outras medias urgentes são:

Mudar o calendário das instituições de ensino, pois este é o que mais impacta hoje na procura. Poderá permitir um melhor aproveitamento do verão e da estrutura disponível.

Sermos criativos na otimização da estrutura de turismo, de forma que venhamos a ter uma preocupação constante pela ocupação durante o ano todo. Mesmo sacrificando os ganhos, pois a exemplo do que se faz na Europa e nos Estados Unidos, a prestação de serviços cubrindo os custos variáveis, pois os custos fixos e o lucro serão cobertos quando houver maior demanda. Assim quem sabe se pode abater ao menos parte dos custos fixos e quem sabe manter boa parte dos empregos.

Com a Agenda 21 Local podemos ter o mapeamento de todo o nosso potencial por parte da população, em especial pelos escolares, conhecendo e divulgando os pontos mais bonitos, os acidentes geográficos, etc.. Com a Agenda 21 Local podemos ter um número maior de festas, ampliando o calendário de festas típicas, gastronômicas, religiosas, etc., além de termos soluções sustentáveis. Comidas típicas que venham a atrair o turista pelo estômago, nem mesmo o Guarujá as possui. A realidade é que nem mesmo nos damos conta em atrair o turista despertanto sua capacidade de análise sensorial.

Bem, é esta a questão, ou continuamos a ter um Ministro que é fisiológico ou um Ministro com uma visão empreendedora e sustetável, não temos alternativas, pois 2014 e 2016 estão aí. E estamos perdendo receitas, hoje já gastamos mais com turismo lá fora do que aqui dentro. Seguramente que o dólar está ajudando, mas a nossa incompetência e ideologia está se encarregando de não aproveitarmos o nosso potencial. E a violência é um compondente cada dia mais decisivo na tomada de decisão de onde iremos passar nossas férias.

Bem, de minha parte gostaria, quem sabe um dia, de poder colocar em prática no Paraná o Projeto Windhuk¹, uma alternativa ambientalmente correta ao turismo de inverno. O que é fundamental face as tragédias e os crimes ambientais que se observam não apenas na minha cidade natal Campos do Jordão, mas também em toda Serra da Mantiqueira e Circuíto Imperial, e Serra Gaúcha. E de igual forma que o ciclismo possa ser o esporte nº 1 dos brasileiros, principalmente ao longo de nosso litoral.

Ocorre que o Paraná possui um potencial fantástico para colocar em curso o Projeto Windhuk¹ - em alemão "Canto do Vento", faltando apenas uma coordenação política. Idealizo como a região mais favorável a próxima da cidade de Palmas ou Guarapuava, próxima as duas usinas da COPEL (Foz do Areia e Segredo) e a Cooperativa de Entre Rios. Considero como a mais favorável por uma série de motivos:
presença de forte imigração alemã, bem como os imigrantes suábios do Danúbio (povo de etnia e cultura germânicas) vindos de países como a ex-Iugoslávia, Romênia e Hungria;
clima tipicamente europeu;
infra-estrutura rodoviária, ferroviária e aeroportuária, que conta ainda com um segundo Aeroporto perto de Faxinal do Céu;
infra-estrutura educacional e hospitalar;
possibilidade de realização de uma série de eventos esportivos, culinários, folclóricos, religiosos e artísticos;
possibilidade do Campus de Guarapuava da Universidade Estadual do Centro-Oeste vir a firmar convênios com Universidades Alemãs com foco na formação de pessoal capacitado a explorar o turismo de inverno;
possibilidade da COPEL e outras empresas se engajarem neste projeto;
possibilidade do TECPAR - Instituto de Tecnologia do Paraná, SENAC e SEBRAE serem importantes parceiras nesta empreitada através de sua experiência como Incubadora, embora ainda restrita a área de C&T, porém com potencial de vir a desenvover tecnologias para o turismo de inverno, seja as indústrias que se desenvolvem em paralelo, bem como inovar na área de incubadoras na área culinária, malharias, artísticas e esportivas e outras atividades aquáticas, aproveitando o potencial dos reservatórios de Segredo e Fóz do Areia;
possibilidade do uso eficaz dos royalities da geração de energia elétrica pelos municípios.

Vale lembrar que:

o turismo de inverno gera em média 20 a 30 vezes mais renda e emprego/turista que o turismo de verão ou que uma indústria automobilística, em especial devido a indústria gastronômica, artesanato e a indústria de malharia, supera até mesmo a capacidade de geração de empregos da agro-indústria, com qualidade de vida similar;
o fomento do turismo naquela região, além despolarizar, mesmo no Paraná, hoje concentrado na região de Curitiba/Litoral e Foz do Iguaçu/Costa Oeste irá beneficiar estes centros devido a mobilidade dos turistas;
o turismo de inverno cria uma importante indústria de construção civil, com arquitetura típica;
na região pode-se inovar para eventos esportivos, como ciclismo, cavalgadas, trail e rally, tornando a região centro de referência. Sendo o ciclismo o esporte com maior potencial, já que ele é hoje o segundo esporte de países como França e Espanha, com grande potencial de geração de emprego e renda no Brasil.
Projeto Windhuk é uma justa homenagem aos que dinamizaram o turismo de inverno no Brasil, entre os quais se encontrava também meu pai: Wolfgang Böhme, de Campos do Jordão e muitos outros Brasil afora, como Otto Reiss do Restaurante Frohsinn (http://www.frohsinn.com.br/) em Blumenau:

http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,EMI44906-15228,00.html
http://vozdovaleonline.com.br.nrserver10.net/blog/?p=15201
http://www.portodesantos.com.br/clipping.php?idClipping=12624
http://www.rootsweb.ancestry.com/~brawgw/alemanha/historia_Windhuk.htm

E torno a repetir, por ser a questão mais importante, senão fundamental: Deve ser exigido que as cidades turísticas tenham seus Planos Diretores e Agenda 21 Local, se possível que venhamos a ter um processo de certificação para a Agenda 21 Local, o que é desejável e estratégico. E o processo de certificação não apenas levaria a melhores práticas de gestão, mas principalmente concorreria para que a melhores práticas fossem conhecidas e disseminadas. Pois, para Iguape é importante que saibam o que foi feito em Parati para aumentar a satisfação dos turistas e o aumento no lucro das empresas e a arrecadação de tributos pela municipalidade. E em termos ambientais ... ... em Floripa uma especie exótica está desfigurando a paisagem e concorrendo para a extinção de bromélias e orquídeas, como no Rio Vermelho. O mesmo pode-se dizer no que se refere ao atendimento das Normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas - ABNT, em especial as do Comitê Brasileiro de Turismo (ABNT/CB-54), ainda desconhecidas dos brasileiros.

E o mais importante, os recursos públicos devem ser voltados a uma atuação que não venham a criar privilégios, mas empreendedores, sendo fundamental as incubadoras, depois de incubadas as empresas devem andar pelas suas próprias pernas e bolsos. A gestão pública deve pautada por um Orçamento Base Zero, desviculado da inércia do clientelismo político que tanto caracteriza a cidades no Brasil, com seu capitalismo de comparsas e seu socialismo de privilegiados, pois os contribuintes brasileiros e os turistas estrangeiros não suportam mais tantos impostos e tanta incompetência. Se não o fizermos o Brasil estará fadado a continuar a ser o paraíso do turismo sexual e continuar a assistir tragédias como as de 1972 em Campos do Jordão, as quais continuam a se repetir aqui e lá, ano a ano. Acaso é isso que queremos?

*gerhard@boehme.com.br
Skype: gerhardboehme

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