Frida Kahlo – Um ícone na arte e na vida

Por Adriana Borges



Uma mulher apaixonada, autêntica, sofrida, transparente e revolucionária. A pintora mexicana Frida Kahlo nasceu em 1907, na Cidade do México. Sua história é carregada de tragédias e paixões. Pintora de estilo único, sua obra é impregnada de um forte espírito nacionalista, mas visivelmente marcada por sua história pessoal, um reflexo de suas dores físicas e afetivas, e da intensa busca pela liberdade.

Quando criança teve poliomielite e ficou com a perna direita mais fina e curta que sua esquerda. Aos 18 sofreu um acidente que trouxe muita dor; o choque de seu ônibus com um trem partiu sua coluna e quebrou vários ossos. Ela passou anos de repouso se recuperando. A idéia de pintar partiu de Frida, que se tornou sua própria modelo com ajuda de um espelho instalado na cama.


                                                A cama voadora - 1932

Aos 21, conheceu Diego Rivera – pintor muralista renomado, comunista e muitos anos mais velho que ela. Casaram-se em 1929. O marido exerceu grande influência na formação de sua personalidade política e artística que valorizava as raízes culturais mexicanas e suas origens índias.

O encontro com Rivera, seu círculo de amigos e a intimidade com Andre Breton, Marcel Duchamp, Trótski, Henry Ford e Dolores del Rio permeia todo o trabalho de Frida. Mas além das referências políticas e estéticas, o sofrimento com o corpo, as inúmeras cirurgias pelas quais passou e a construção de sua identidade pública são temas presentes em sua obra.

                                                        auto-retrato Frida Kahlo

O relacionamento dos dois artistas no contexto da Revolução na Cidade do México, o papel que ela exerceu como mulher, artista e militante colaboram para a construção de uma obra bastante politizada, mas ao mesmo tempo individual. Frida é a principal personagem de seus quadros. Seu universo particular e rico moldou uma mulher que se revelava transparente, corajosa e inovadora ao se despir em suas obras. “Nunca pintei sonhos. Pintava minha própria realidade”, dizia.


                                                         A coluna partida, 1944

Sua obra com aproximadamente 200 telas, considerada pequena, é bem maior em termos de notoriedade e reconhecimento por parte do público do que a do marido Diogo Rivera. A obra de Frida expõe o rosto da mulher mexicana, nacionalista, de traço forte e feminino. Sua arte é profundamente realista, ainda que, em determinado período, tenha sido classificada como surrealista. Seus autorretratos são perturbadores e constantes, um reflexo do seu mundo interior apaixonado.

A relação intensa com Diego Rivera foi marcada por traições de ambas as partes. Nos períodos de separação, Frida acabou produzindo muito e conquistando sua independência econômica passando a viver de sua arte. Sua obra começou a ser reconhecida no México e internacionalmente a partir da década de 40. Expôs em Nova York, em Paris, e lecionou em escolas de arte mexicanas.


Com a saúde frágil e presa mais uma vez a cama, Frida entrou em depressão. O tema da morte, que sempre permeou sua obra, tornou-se mais constante. Frida morreu em julho de 1954, na Casa Azul, no México, que hoje abriga o Museu Frida Kahlo. A vida da artista foi retratada no filme “Frida”, de 2002.

"Las dos fridas", 1939. Pintado em Paris, o coração sangrando, ela expõe seu sentimento de dupla personalidade: a mexicana, a direita, adorada e querida (inclusive por Diego) e uma versão 'européia', sofrida.

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