Especial dia do trabalho


1º de maio

Por Rogério Salgado

Com as mãos ele molda o barro
artesanato e labuta no seu dia a dia
e com alma vê, a obra acabada
sem que lhe reconheçam o feito
pela manhã o gemido do filho
e o leite não comprado
o salário pouco, o amor demais
no instante do choro rompido

a noite tão chuvosa e fria
tece a alma e a carne da criança
quando cai estrelas e a roupa de Maria
e no gozo pleno da madrugada
ela há de não lembrar no momento
do prazer celestial que seu filho
também será outro artesão na vida
que moldará o barro no artesanato do seu dia a dia.

Com esperança ele molda o desejo de ser feliz
mas a dureza de tudo (e nada) faz dele triste,
apenas mais um que será qualquer um
cidadão brasileiro reconhecido apenas pelo cpf
por anos e anos e anos até o dia do juízo final.

*Escritor, poeta e jornalista. Natural de Campos dos Goytacases/RJ, reside em Belo Horizonte/MG.

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