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Haiti: Nada a Pacificar, tudo a construir

por Elaine Tavares / IELA


O Instituto de Estudos Latino-Americanos começa o ano de 2016 discutindo um tema chave para a América Latina: o Haiti. Ocupado pelas forças da ONU desde 2004 (há 12 anos) o país continua mergulhado em profundas crises que, ao que parece, mais se aprofundam conforme seguem por lá os soldados. A paz só existe nos discursos. Denúncias de violações de mulheres, crianças e outras tantas barbaridades contra a população são sistemáticas.

O Haiti tem uma importância fundamental para a libertação da América Latina. Sem esse país talvez a guerra de libertação tivesse demorado ou até não acontecido. Foi a partir da própria luta no Haiti, com a revolta dos escravos e a consequente vitória da República negra em 1804, que as demais colônias na parte continental foram percebendo que era possível sair do jogo da Europa. E foi o general Petión quem acolheu Bolívar depois da derrota de 1810 na Venezuela, e deu a ele as condições objetivas e materiais para voltar e levar todo o continente sul-americano à libertação. Logo, o Haiti é um espaço que precisa ser visto como o grande berço da soberania dessa parte sul do mundo.

Assim, entendendo o compromisso que os latino-americanos precisam ter com o país irmão do Caribe, O IELA traz para a aula magna o professor Ricardo Seitenfus, que é professor do curso de Direito na Universidade Federal do Rio Grande do Sul/Santa Maria, Doutor em Relações Internacionais, e foi representante especial da Secretaria Geral e Chefe do Escritório da OEA no Haiti (2009-2011), conhecendo por dentro as entranhas da ação das forças da ONU naquele país.

Seitenfus é gaúcho, estudou Ciência Política, com opção em Estudos Internacionais, na Universidade de Genebra. Fez a Faculdade de Ciências Econômicas e Sociais no Instituto Universitário de Altos Estudos Internacionais (IHEI), e também se graduou em Relações Internacionais. Fez pós-graduação em Economia do Desenvolvimento, no Instituto Universitário de Estudos do Desenvolvimento e estudou História Moderna e Contemporânea no Departamento de Letras da Universidade de Genebra.

Na Universidade Federal do Rio Grande do Sul fundou o Centro Brasileiro de Documentação e Estudos da Bacia do Prata (CEDEP). Criou a Secretaria de Assuntos Internacionais do Estado do Rio Grande do Sul e fui seu primeiro titular. Escreveu os livros « Haiti, a soberania dos ditadores », “Haiti, dilemas e fracassos internacionais”, frutos do seu trabalho de três anos naquele país. Além deles possui vasta obra sobre relações internacionais.
A presença de Ricardo Seitenfus será de profunda importância para compreender a geopolítica latino-americana e a sempre complicada relação com os Estados Unidos.
A aula magna acontece no dia 06 de abril, às 18h e 30min, no Auditório do Centro Socioeconômico.

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