Dandara reinaugura centro comunitário



Mulher integrante da Comunidade Dandara durante Marcha das Mulheres.
Por Brenda Marques
A sala de visitas da comunidade Dandara, na região da Pampulha, na cidade de Belo Horizonte, Minas Gerais está de cara nova. É assim que a auxiliar de escritório, Luciana da Cruz Neves, definiu a reforma no centro comunitário da ocupação, reinaugurado no último dia 7.

O local é o espaço onde os moradores fazem reuniões , eventos e guardam as doações que chegam à ocupação. Além de receber nova pintura e reparos nas paredes e telhados, o espaço passou a ter o nome “Centro Comunitário Professor Fábio Alves”. O nome é uma homenagem ao professor da PUC Minas e apoiador da comunidade Dandara, Fábio Alves, que faleceu no dia 19 de outubro de 2013 e tinha participação expressiva nas causas em defesa dos Direitos Humanos.

No mesmo dia da reinauguração do centro comunitário, a ocupação Dandara passou por uma inspeção judicial, solicitada pela Defensoria Pública Estadual. A visita técnica foi feita pelo juiz Manoel Reis Moraes, da 6ª Vara da Fazenda Pública Estadual, onde tramita o processo de reintegração de posse da área onde está a comunidade. O laudo da inspeção será anexado ao processo, que está na fase de instrução e tem sua última audiência marcada para o próximo dia 14, às 13h30.

Reforma foi idealizada por moradora

Foi durante um curso de agente de projetos sociais que Luciana da Cruz idealizou a reforma do centro comunitário da ocupação Dandara. “Eu e outras pessoas tivemos que apresentar um trabalho (durante o curso) e fizemos o projeto para o espaço social. Por não termos dinheiro para colocar o projeto em prática, criamos uma campanha para arrecadar material. Como moradora, percebi que aquele era o espaço na comunidade que mais precisava de intervenção”, disse Luciana.
Faz parte da nova pintura do centro comunitário, imagens que representam a luta das famílias do Dandara, entre elas uma figura do professor Fábio Alves. Luciana lembra a importância do homenageado para a ocupação. “Em momentos de assembleia ele (Fábio Alves) sempre passou para nós muita força e honestidade. Mesmo na doença ele nunca abandonou a Dandara. Foi uma pessoa muito importante para nós. Era um homem inteligentíssimo que infelizmente perdemos. Esperamos conhecer outras pessoas iguais”, finalizou a moradora, que fez questão de ressaltar a participação da esposa e a filha do professor na cerimônia de reinauguração do espaço.

Reconhecimento do direito à moradia é objetivo

A defensora pública Ana Cláudia da Silva Alexandre, que acompanha o processo de reintegração de posse do terreno ocupado pela comunidade Dandara, não quis arriscar em dar opinião sobre o parecer da visita, que aconteceu paralelamente à inauguração do Centro Comunitário Professor Fábio Alves. “As impressões que ele teve (juiz Manoel Reis Moraes) vamos saber somente no decorrer do processo”. A magistrada, no entanto, fez uma avaliação positiva da vistoria. “Acho que ele conduziu muito bem a visita. Mesmo não sendo necessário, ele andou por toda comunidade”, lembrou.

De acordo com a defensora, o objetivo da inspeção foi comprovar que, além do terreno estar totalmente ocupado, ele está sendo destinado para famílias que realmente necessitam de moradia. “Quisemos provar que a comunidade é carente de vários benefícios e que é necessária a regularização do terreno para eles terem acesso aos serviços públicos”.

Ainda de acordo com a magistrada, o alto da vistoria estará disponível no processo e será assinado por representantes da Construtora Modelo (proprietária do terreno), da ocupação Dandara e pelos demais envolvidos no processo. A próxima audiência (última da fase de instrução) será na próxima semana, dia 14, às 13h30, na 6º Vara da Fazenda Estadual.

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