Ativistas em solidariedade aos Guarani-Kaiowá fazem ato em frente ao Parque Municipal embaixo de chuva



Nesta sexta-feira, 09 de novembro, manifestantes solidários aos Guarani-Kaiowá, foram as ruas para um ato de Lut(a) em defesa dos povos indígenas do Brasil. Em Belo Horizonte, a manifestação realizada em frente ao Parque Municipal foi marcada pela leitura de poemas, artigos e cantos.

Na foto ao acima, a presidente do Instituto Imersão Latina (Imel), Brenda Marques Pena, lê o poema abaixo, enviado pela Delasnieve Daspet, Embaixadora Universal da Paz e Presidente da Associação Internacional Poetas del Mundo. Estiveram presentes no ato também os poetas: Ênio, Severino Yabá, Avelin Rosana, integrantes do Nós da Poesia

Veja outras fotos da manifestação e acompanhe sobre esta luta e participe também pela nossa rede http://imersaolatina.ning.com


O suicida não quer se matar - quer matar a sua dor.
    - Elegia ao Povo Guarani  -                        
Por Delasnieve Daspet
.
T
rago, hoje, meu canto triste, doloroso, de luto, de mágoa,
Num sentimento que me corta a alma...
Nênias para quem não entendeu que não existem mais fronteiras,
que tudo acontece numa fração de segundo e reverbera por todo o universo.
.
Uma grande máquina, desumana, caminha entre os homens,
mata os indefesos de fome, de frio, de falta de dignidade,
de vergonha, por usurpação de direitos.
.
Ao contemplar a realidade vemos que a eternidade
é apenas uma palavra obscura...
E o Guarani-Kaiowa agoniza,
Sangra, e entrega seu sangue pela terra!
.
Quantos assassinatos cometemos em nome da justiça?
Porque cada índio que morre deixa em nossas mãos
o sangue de seu cruel e covarde assassinato!
.
 “Decretem nossa extinção e nos enterrem aqui”
Brada o bravo guerreiro guarani-kaiowa,
ainda dentro de sua terra usurpada e ocupada
Um processo de invasão
Num longo caminho de opressão
Para não se reconhecer o direito coletivo
Do povo indígena.
.
 “Pedimos ao Governo e à Justiça Federal para não decretar a ordem de despejo/
expulsão, mas decretar nossa morte coletiva e enterrar nós todos aqui.
Pedimos, de uma vez por todas, para decretar nossa extinção
dizimação total, além de enviar vários tratores para cavar um grande buraco
para jogar e enterrar nossos corpos. Este é o nosso pedido aos juízes federais”
,
O direito à vida não pode se
Subordinar ao direito  da propriedade,
A vitima fatal quase sempre é o índio,
Morte consentida!
.
Recuso-me a ser cúmplice deste genocídio...
Os índios e os brancos são iguais  em muitas maneiras,
Foi um só criador que fez todos os humanos,
Bebem  das mesmas águas, corpo e espírito dos
Mesmos oceanos!
 .
Recuso-me a ser cúmplice de mais este assassinato...
Se somos diferentes,  diferentes, também,  são os
Pássaros em suas cores, nos seus cantos, nos seus modos.
Somos distintos  - temos as nossas  línguas, nossos sonhos,
Nossas cores e compressão diferente...
.
Recuso-me a compactuar com esta violência...
Os índios preservaram e nos entregaram a nós e aos
 nossos filhos a herança da criação.
Ocupamos a sua  terra mãe.
Terra que eles cuidaram  ciclos após ciclos...
E que agora, afirmam "Não terem  e nem terão  perspectiva de vida digna
e justa tanto aqui na margem do rio quanto longe daqui”
.
Antes que tudo desapareça da face da terra
vamos  parar e ouvir o canto da criação
com a mente  e o coração...
Como podemos entender o desespero de uma decisão de morte coletiva?
Como  aceitar que alguém vai morrer por ação ou omissão nossa?
.
Parem. Pensem. Cheirem este ar puro que ainda resta... ouçam as montanhas ela chora de dor,
Ouçam os rios – suas lágrimas morrem  nas ranhaduras da terra seca...
ouça o gemido da árvore que se contorce no fogo e na serra...
Ouçam... o espírito da terra esta coberto de cicatrizes e clama pela prudência do homem...
.
Sintam a mãe terra e pensem um pouco nestes irmãos diferentes...
Pensem nos quantos que já desapareceram para sempre...
Vamos reconhecer esses irmãos que chamam a sabedoria milenar de sua gente
E nos respondem  a cada violência com prudência e um pedido de paz...
.
Enquanto o Guarani-Kaiowá agoniza, seu corpo, seu sangue,  sua sina
de extermínio silencioso, numa  desvalia extrema, a
auto-imolação é a última forma de ainda sobreviver.
.
Pensem, sintam... todos nós olhamos o mesmo céu,
o mesmo sol,  a mesma lua e  compartilhamos as cores dos  quatro ventos
Não podemos condená-los a  vagar e vagar sem rumo e sem destino...
Estamos falando de gente, o que houve - o que há com a Constituição Cidadã?
.
Lembremos  que já andamos por todos os lugares, por todos os caminhos,
O  horizonte sempre se esconde na terra, e,
O suicida não quer se matar - quer matar a sua dor,
Pachamama  está encharcada com o sangue guarani
.
 “Co ivi oguereco iara" - "Esta terra tem dono!”
Assim falou nhanderu Nísio Gomes, agora,
 vento que anda pelas trilhas deixadas pela ausência... 


DD_DelasnieveDaspet - Campo Grande – Mato Grosso do Sul – 25.10.12

*Delasnieve Daspet - advogada e ativista das causas da Paz, Sociais, Humanas, Ambientais e Culturais, Conselheira Estadual de Cultura,
Embaixadora Universal da Paz, preside a Associação Internacional Poetas Del Mundo, e, é Poeta, essencialmente.Duo Almada Ovelar - Nde Mbaera Che Reseda ( Para voce minha flor - guarani)

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Os Grandes projetos na Amazônia e seus impactos

De volta à Pangéia: um dos contos DESnaturalizados de Brenda Mar(que)s Pena do Imersão Latina