Reynaldo Bessa faz pocketshow e autografa Outros Barulhos nesta terça na FNAC Paulista

Comentários extraídos do site oficial do autor http://www.reynaldobessa.com.br:

O músico e compositor, Reynaldo Bessa guardou a infância no quarto até onde deu. Agora explodiu pelas janelas e portas. "Outros barulhos" é um baú que transbordou: quando os mortos e vivos se embaralham na linguagem, lembranças são confundidas com premonições; vozes, com cheiros. Ou ele publicava esse livro ou ficava louco, não tinha escolha.

É uma fartura de vida, um armazém de fiados, armário de brinquedos extintos, que todo leitor vai se exuberar. É uma obra da saudade. A saudade alegra, inclusive, os dias em que cortamos os dedos. O livro quer a poesia como iluminação da corda. Faísca da corda de violão. Eu pergunto: quantas forcas há no violão? Quantos homens são desenforcados pela música?

É uma música muda. Uma música que estica a vida que não houve. Bessa é poeta. Pela intuição maravilhosa. Pelas comparações novas. Pelo tempo de descrever, e, acima de tudo, de se calar na hora certa. Como um menino ingênuo, ele questiona: "como pode alguém com fome/ ter medo de relâmpagos?" Alguém já pensou nisso antes?

Pela verdade apurada, de antever contradições e desarmar ciladas da auto-ajuda.

"Há algo de liso, de falso, de suspeito,
na total aceitação.
uma leve, porém inquietante tensão,
feito a frágil sacola do supermercado que a gente nunca sabe se vai romper ou se vai agüentar as compras até chegar em casa."

Sua sensibilidade é espiã. Não suportaria suas dores se não carregasse também a dos outros. Por isso, sofre com o bêbado voltando para casa, como se houvesse um trapézio transparente na rua; os vizinhos rindo e os familiares o segurando com os olhos. A poesia quando narração é imbatível. A poesia como contadora de histórias é imbatível.

Sabemos muito mais da memória de Bessa.

"o silêncio
do meu irmão
doía mais
que as pancadas
do meu pai."

Porque ele nos confidencia sua imaginação.

Fabrício Carpinejar
poeta e jornalista, mestre em
Literatura Brasileira pela UFRGS.

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Recebi Outros Barulhos (Anome Livros) de Reynaldo Bessa, com certa apreensão, pensando tratar-se de outro músico metido a escrever poesia, já que letra de música muitas vezes é também poesia, mas poesia nem sempre é letra de música. Após uma leitura em meio a receios e expectativas cheguei à conclusão de que Reynaldo Bessa não é só um grande músico, mas um poeta sensível e perceptivo que, com certeza, se destacará no cenário poético brasileiro.
Um dos maiores livros da literatura universal, Dom Quixote de La Mancha, levou seu autor a ser um dos melhores escritores universais porque conseguiu unir numa mesma obra, uma literatura da melhor qualidade com detalhes surpreendentes aos críticos mais exigentes e uma linguagem simples, de fácil entendimento para aqueles que buscam uma história de aventuras.

Nos dias atuais, poetas buscam escrever uma poesia só compreensível para ele mesmo e o pior: críticos, com receio de serem criticados por não compreenderem algo que eles não poderiam compreender, consideram aquele abstrato obra prima da poesia contemporânea brasileira. Reynaldo Bessa em seu Outros Barulhos, por certo, agradará aos mais variados leitores e ao crítico literário mais detalhista, pois faz uso de preciosas metáforas para escrever uma poesia de qualidade e simples, simplicidade que aqui considero seu ponto forte.


Ao voltar à infância, o poeta usa de lembranças para visualizar imagens poéticas surpreendentes, quando diz: “o silêncio/do meu irmão/doía mais/que as pancadas/do meu pai”. Mostra-nos que para ser moderno não é necessário perder o lirismo, como nestes curtos versos: “os vestidos escondem/mais segredos do que o mar”. Sem perder o seu espírito social, fala do menino cujo sonho era ter tênis novos e do sonho desfeito com o roubo desses tênis; do espirro que dá para a sociedade hipócrita e opressivamente capitalista; e critica nossa condição humana em versos criativos, que diz: “os macacos/desceram das árvores/aí nasceu o trabalho,/a infidelidade, o divórcio e/o apartamento de um dormitório” . Encerra com o poema intitulado “Fim”, poeticamente rico por suas variadas possibilidades, resumindo numa única frase: “muitas coisas acontecem depois dele”.

Reynaldo Bessa é cantor, compositor, violonista, escritor e poeta. Nasceu em Mossoró/RN. Está radicado em São Paulo/SP há vinte anos. Lançou cinco CDs. Outros Barulhos é o seu primeiro livro e um dos melhores de poesia que li nestes últimos anos.

Rogério Salgado
poeta - Belo Horizonte - MG

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Reynaldo Bessa, além de ser compositor, cantor e músico, tendo uma carreira consolidada na música popular brasileira, principalmente na música independente, com seu primeiro livro de poesia “Outros Barulhos”, revela o poeta que se “escondia” nas letras de suas canções.

No livro, poemas de vivências, de acontecimentos, de visões passadas e futuras, de encontros e desencontros, de despedidas e fusões, de vida e morte, de cotidiano, metrópoles e interioridades, surpresas e achados físicos e metafísicos, enfim...”Outros Barulhos” revela o poeta que Reynaldo Bessa sempre foi.

Madan
Compositor - São Paulo - SP

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