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Raposa Serra do Sol : "O Nosso Erro Amazônico"

Por: Pettersen Filho do Jornal O Grito Cidadão

Enquanto o “Green Peace” sobe e desce com seus botes infláveis o Rio Amazonas brasileiro, içada na proa a bandeira verde clara do naturalismo, e o “WWF – Wild Word Fundation”, com muito louvor, denúncia avidamente a possível extinção de alguma insólita espécie nova de formiga carnívora recém descoberta, somente existente na Amazônia, bradando o seu grito verde conservacionista, mais ao sul do País, em algum farol de esquina da Rua Augusta, corriqueiramente, mais uma criança desamparada se entorpece com uma lata de cola química, esmolando um trocado, sem que ninguém se importe com isso.

Da mesma forma, enquanto humanitariamente o “Human Right Watch” se escandaliza em sua sede de Londres, diante do aculturamento braso-lusitano dos índios do Xingu, concomitantemente, em uma de suas reservas ambientais, se queda mais uma castanheira secular, ao som estridente das moto-serras “Yammar” ou “Usquarna” escandinavas, para que, igualmente, mognos e jacarandás sejam contrabandeados do pais, diante da inimputabilidade indígena, porquanto, mais ao sul do Brasil, terras dantes agricultáveis por milho e feijão dão lugar a mata homogênea industrial do eucalipto para celulose ou siderurgia, avançando também por sobre o resquício da Mata Atlântica e cerrados brasileiros, sem que, aos sons dos “dingles” promocionais da Aracruz Celulose ou CST-Arcelor, ninguém com isso se importe. De fundo, ao mesmo tempo que transcorre o teatro dos vampiros-amazonenses, nas encostas dos morros e subúrbios cariocas, ou paulistas, ao som seco do estampido dos fuzis e pistolas, mais um jovem sem emprego, família ou escola, é assassinado, sem que os verdes se apiedem disso.

Parece-me, no entanto, que, enquanto os holofotes da ganância internacional focam, e reservam para si próprios, a Amazônia, cegando nossos olhos com flácidos discursos de conservacionismo, estranhamente, tanto faz que padeçam seres humanos na indigência nordestina ou no modelo servil brasileiro, africano ou hindu, mormente injustos e desiguais.

Contudo, ao meu modesto ver, ainda que, por mais relevante seja uma nova espécie de formiga canibal, ou uma eventual orquídea parasita inédita, ainda que ela só cresça na sombra das árvores, o bicho-homem-brasileiro, penso, há que ser prioritário.

O certo é que, enquanto tombam ao longo da Historia tupiniquim os “Chico Mendes e as Irmãs Dorotys” da vida, lamentavelmente, na hipocrisia protecionista que nos é ofertada, à sanha de levas e levas de brasileiros que avançam por sobre a hiléia amazônica, arriscando suas vidas, diante da malaria e do devolutismo estatal, foi, sim, é a grande e inequívoca verdade, este enorme País, desde a Colônia, ocupado, colonizado e desbravado, por homens assim, igualmente destemidos e intrépidos: Heróis e aventureiros, prostitutas e ladrões, de Ouro Preto à Carajás. Inicialmente, abençoados pelos jesuítas das missões gaúchas, e pela sacro-santa Igreja Católica Apostólica Romana, ou pelas Bandeiras Paulistas, na caça interior do Brasil do Ouro, foram eles, Seringueiros, Grileiros e Capitães-do-mato, quem verdadeiramente embrenharam-se pela Serra do Mar e pelos Sertões, dando a este desigual pais a dimensão de continente.

Negarmos isso é negar nossa tosca origem e a nossa própria História. Foi somente após, depois da cólera, e de abertas as picadas, que chegaram os governantes oportunistas, os protecionistas em seus barcos de borracha e com sua moeda estrangeira, a colonizar proibitivamente as fronteiras do Amapá, Rondônia, Acre e Roraima, sob o manto do pseudo-protecionismo: Com regras de conduta e discurso impávido. Somente após. Depois de enterrados, pelos grotões, os mortos.

Agora, vêm-nos, Eles, dizer a quê ? a terra destina-se: Enquanto milhões de brasileiros vivem abaixo da linha da pobreza extrema, tão somente, em nome da suposta preservação da fauna e da flora?

Enquanto são milhares os brasileiros que perdem a vida por inanição ou sem trabalho, reservando o Governo Federal terras de fronteira aos silvícolas, sob a proteção de potências européias, proibindo-nos o acesso e a soberania ? Parece-me, em última análise, enquanto Gorge W. Bush lança bombas sobre o Iraque Ocupado, ou no ínterim da não-homologação do Tratado de Kioto, que, somente a presença organizada do Estado brasileiro, soberano e atuante, através de estradas, povoamento e escolas, ocupando definitiva e ordenadamente a Amazônia, com a efetiva implementação do Projeto Calha Norte pelo exército nacional, nos salvará a todos da desanexação, do desmatamento, da internacionalização e do aculturamento: Aos índios xingús, as formigas carnívoras, a orquídea parasita e ao jovem abandonado das metrópoles sul-brasileiras.

É esse, sem hipocrisia, ao meu ver, o nosso Erro Amazônico: Não assumi-la. Não ocupá-la.

Saiba mais:
http://www.direitodireto.com.br/
www.paralerepensar.com.br/antuerpiopf.htm
http://www.mhariolincoln.jor.br/

Artigo publicado em: http://www.abdic.org.br/

Comentários

Anônimo disse…
KKKK, não mereçe nem comentário, mas vou faze-lo com simplicidade.
É a mesma coisa que pedir para o governo cuidar da saúde e esquecer da educação, tudo é importante as vistas do ser humano, tanto a questão social quanto a ambiental, a amazônia tem que ser vista do ponto de vista ambiental e as pessoas que vivem lá do ponto de vista social e não relaciaonados entre sí, algo a mais que isso é pura hipocresia , mais uma coisa não existem orquideas parasitas,elas usam as arvores somente como hospediras, que autor mal informado !!!

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