Belô Poético abre as cortinas para poetas de todos estilos

"O poeta trabalha com as palavras, mas às vezes prefere o silêncio. Escritores descrevem e narram, ele muitas vezes come as palavras e as cospe. Contrói concretos, abstratos e realistas e por fim acaba sendo um pouco de todos os artistas. Mastiga a literatura e a deixa triturar no estômago, até expelir versos da interação do visto e do dito. O novo prato oferecido ao leitor pode ser amargo, mas o fará ir além do seus universo restrito."

Brenda Mars



Durante quatro dias a cidade de Belo Horizonte, Minas Gerais recebeu poetas de todos os gêneros. Eu tive a oportunidade de abrir a Téia Poética no sábado, 12 de julho e apresentar a "Badalada Sonora". O poema "A Badalada" que dá origem à performance pode ser lido no Recanto das Letras - www.recantodasletras.com.br/autores/brenda.

O organizador do evento, Rogério Salgado enviou hoje um de seus poemas que eu posto aqui, por ser um retrato de um Brasil que queremos mudar e esta realidade não difere da de tantos outros países da América Latina que sofrem com a violência urbana e a desigualdade social.


Poema sem metáforas
(Para Maiakovski)

Um corpo inerte na calçada
vítima de bala perdida
ao redor da morte
pessoas desesperançadas
esperam um novo milagre
que lhes tragam algo novo
... e o poeta em sociedade
preocupa-se com o poema alheio...
a violência violenta as estruturas
humanas que habitam dentro
de cada um de nós
como se vivêssemos
num vietnã metropolitano
em pleno século XXI
... e o poeta em sua toca
sonha com o seu próprio umbigo
pessoas dormem nas ruas
sem metas e sem destinos
suas camas são papelões
espalhados em desalinho
como animais quaisquer
num zoológico concreto
... e o poeta afinal
só quer ver

(Rogério Salgado)

Na foto ao lado: Brenda Marques, Rogério Salgado, Arthur Gomes, Tânia Diniz e Ricardo Evangelistas. Todos são poetas e produtores culturais

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