Centenário do Rei do Baião Luiz Gonzaga ganha show de histórias e cantorias na Bienal do Livro de Minas


Para comemorar o centenário do Rei do Baião, escolheu-se o ofício de narrar e cantar histórias - elemento tão presente na carreira do músico pernambucano que em seus shows pelo Brasil ia cantando e proseando com a sanfona na mão. “O grande sucesso do show era quando ele começava a fazer aquela prosa com a sanfona, contando a vida dele. O público adorava. A gente também.”, conta o músico João Bosco que o acompanhou, entre outros, na temporada “Sabor Brasil”, no início da década de 80. E a história de Luiz Gonzaga transita por estes caminhos mineiros: entre 1932 e 1939, quando soldado do exército, viveu por Belo Horizonte, Juiz Fora, São João Del Rei e Ouro Fino. Foi nesta região de Minas que Gonzaga se apresentou pela primeira vez em um palco e que também aprendeu a tocar sanfona de 120 baixos, com outro soldado – o Domingos Ambrósio. Para treinar, adquiriu uma sanfona de 48 baixos, aproveitando as folgas da caserna para tocar nas festas pela região.

Depois de consagrado como Rei do Baião, Gonzaga continuou a percorrer Minas, agora de norte a sul. O público será convidado a evocar seus sentidos para ‘pegar estrada’ em meio às histórias deste mestre da cultura popular. Enquanto é alimentado pelos contos e relatos transcriados pela voz de Aline Cântia, o público vai se deixando levar pelas canções, ritmos e melodias de Chicó do Céu e Carlinhos Ferreira. A história começa junto do dia, quando uma zelação cruza o céu, avisando que vai nascer o segundo filho de Januário e Santana: nosso futuro rei do baião. Histórias que cruzam com Lampião, com os cantadores de feira, os sons das conversas, das vendas e as prosas que vão se misturando outra vez à sanfona do Velho Januário que agora já é acompanhado pelo pequeno Luiz Gonzaga. Parceria que dura a vida toda, embora tenha uma pausa de quase 16 anos, depois da fuga de casa. E vem a vida de soldado e a eterna saudade de casa, narrada e cantada mais tarde em inúmeras composições. A participação no contexto histórico brasileiro, a Guerra do Chaco e a polca paraguaia, que mais tarde ele aprimorou no ritmo da sanfona.

Os forrós em Minas Gerais. A chegada ao Rio de Janeiro com suas histórias de amor, o reencontro com a família – outra vez reunida, a Rádio Nacional, as gravações, os encontros com outros artistas brasileiros. E a eterna vida de viajante: os encontros com João do Vale, Sivuca, Dominguinhos, Jackson do Pandeiro, Gilberto Gil, Caetano Veloso e tantos outros. As excursões de Norte a Sul feitas de caminhonete, com apresentações em circos e praças. As lutas incansáveis pelo bem do Nordeste, em especial à sua querida Exu. A Missa do Vaqueiro. O encontro do sábio Gonzagão com a ‘moçada’ que vinha chegando e se alimentava de suas influências: Alceu Valença, Geraldo Azevedo, Zé Ramalho, Fagner, Belchior, Geraldo Vandré e tantos outros. Um espetáculo de 60 minutos em forma de prosa bem ao estilo da conversa mineira: pausada, com vivo sentido de observação, introspecção e humor – embalada pelas cordas, cantos e batuques.

Os artistas e suas histórias 

Este projeto nasceu de um trabalho de imersão criativa há 06 anos por Aline Cântia e Chicó do Céu: uma contadora de histórias e um músico que escolheram os caminhos da palavra narrada e cantada para descobrir pedacinhos de sons e silêncio escondidos entre as memórias brasileiras. Na tentativa de localizar as estradas que uniam estes caminhos, por onde passar para chegar Da Zona da Mata à Chapada de Araripe, ou do Pantanal ao Sertão, surgiu a idéia de reinventar um mapa feito por vários brasis. Um mapa que não se une ou se recorta apenas pelos rios, fronteiras ou estradas físicas, mas que desenrola um fio feito de contos e cantos.

Ao viajar por cada metro destes brasis, começaram a escrever e cantarolar as histórias, nos encontrando com as memórias dos personagens importantes da música brasileira. No meio do caminho, cruzamos o músico percussionista e compositor Carlinhos Ferreira, pesquisador de ritmos brasileiros que há mais de 15 anos tem vivenciado diversas sonoridades junto aos mestres de folia, congo, catira, cateretê, cururu, entre outros. E deste encontro nasceu o projeto “Vida de Viajante”: passeio narrativo e musical pela trajetória de Luiz Gonzaga: um diálogo entre a vida, a arte e a História.


Mais informações: alinecantiaechicodoceu.blogspot.com
Contatos:  alinecantia@gmail.com ; chicodoceu@yahoo.com.br

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