Pular para o conteúdo principal

Brasil: ​Atual conjuntura e a fragilidade da democracia



​*Leonardo Koury Martins​

É momento de refletir. Em especial nos últimos anos e na atual conjuntura que na interarticulação dos movimentos sociais indo às ruas defender direitos dos trabalhadores, saem em também com um número expressivo de milhares de brasileiros na desqualificação do projeto nacional posto.

Não haverá neste artigo uma defesa por si do governo Dilma, mas do reconhecimento das políticas sociais, combate a corrupção e enfrentamento da pobreza que assolava milhões de famílias no país. Na contramão dessas conquistas, relativos declínios de direitos trabalhistas, porém o foco da Direita brasileira não está na perca de direitos, mas no ódio enraizado aos pobres.

Fato é que entre os melhores ou piores momentos do Brasil no recorte dos 12 últimos anos, o que mais cresceu por parte da burguesia brasileira foi a visão preconceituosa em relação aos homossexuais, mulheres, juventude além de expressões racistas e criminalizadoras aos movimentos populares.

Não se trata de erros ou acertos, para a Direita apenas a possibilidade de odiar as diferenças basta para disseminar palavras de ódio e desejar um país pior para justificar sua despolitização quando o assunto é de interesse coletivo.

Em um breve resgate temporal, lembremos que a “cura gay”, as palavras racistas nos estádios, a resistência em aceitar que as empregadas domésticas tenham direitos trabalhistas e até a pena de morte diária de jovens negros pela polícia se legitimaram socialmente na última década.

Na contramão do maior período democrático, pós golpe militar, a burguesia no seu ódio aos pobres deseja a volta da mesma. Desejam de forma democrática o fim da democracia.

Creio que é momento de refletir, de ousar. Ao ler sobre o teatro alemão, as peças shakespearianas nos ensina que toda tragédia exige uma por si a revolução.

Na atual conjuntura não está em jogo a perda de um governo, mas a perda de direitos sociais. Não é uma questão de maiorias e sim de desejos individuais contra conquistas coletivas. É momento de ousar, construir a defesa dos direitos sociais conquistados e contrapôr o ódio disseminado pela mídia golpista e pela elite brasileira que utiliza do analfabetismo político na classe média  seu escudo para manutenção de seus privilégios.

No conjunto da classe trabalhadora e dos movimentos sociais ouvimos um grito: Constituinte para mudar o sistema político. Quando? Já!.


*​Leonardo Koury: 
​Poeta, Assistente Social em MG.


Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Tropofonia do IMEL ganha prêmio Roquette Pinto de rádio-arte!

"É com muita satisfação que a ARPUB e o MinC informam que o projeto Tropofonia: um laboratório de sons e sentidos, proposto pelo Instituto Imersão Latina - IMEL foi selecionado para receber o Prêmio Roqutette Pinto de Fomento à Produção de Programas Radiofônicos, na categoria rádio-arte/experimentação sonora."

COMISSÃO DE SELEÇÃO DO I PRÊMIO ROQUETTE- PINTO
ARPUB - Associação das Rádios Públicas do Brasil

"Nós do Instituto Imersão Latina (IMEL) e do Tropofonia recebemos esta notícia hoje e agradecemos a todos que participaram desse processo de construção coletiva do projeto até aqui. O programa Tropofonia agora será disponibilizado para circular pelas rádios comunitárias e educativas de todo o Brasil. Que essa onda se perpetue por todos os ares da América Latina!"
Brenda Marques Pena, Presidente do Instituto Imersão Latina

A Comissão de Seleção do I Concurso de Fomento à Produção de Programas Radiofônicos - Prêmio Roquette-Pinto foi composta pelos membros:

Patrick Torqua…

Os Grandes projetos na Amazônia e seus impactos

“Realizar uma grande aliança dos quem tem modos de vida ligados a terra, as águas e as florestas, povos indígenas,comunidades de camponeses e ribeirinhos e demais entidades sociais que sofrem os impactos dos grandes projetos na Amazônia e de quem se solidariza com eles, para estabelecer a resistência a diversos níveis, local, regional, nacional einternacional”, é o que sugere uma das conclusões do Seminário Internacional de Grandes Projetos na Amazônia e seus Impactos. As conclusões do Seminário foram publicadas no site do Cimi no último dia 6.


Eis a carta final do encontro:

Nós, membros de Movimentos Sociais e Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira, Peruana e Boliviana e do Conselho Missionário Indigenista – Cimi, reunidos no “Seminário Internacional de Grandes Projetos na Amazônia e seus Impactos”, nos dias 2, 3 e 4 de junho de 2010, na cidade de Rio Branco, estado do Acre,

Considerando:

1) Que os grandes projetos da IIRSA(Iniciativa para Integração da Infra-Estrutura da América …

De volta à Pangéia: um dos contos DESnaturalizados de Brenda Mar(que)s Pena do Imersão Latina

De volta à Pangéia* Quem sabe a arte console hoje todos os corações solitários carentes da real beleza muda dos materiais e cores dos sonhos, como intocáveis desejos do querer. Esse era o último apelo de Péricles: viver um deja vu de emoções. Assim as lembranças tomavam o chá das onze com ele todos os dias, como se cada gota tivesse o gosto de um amigo ou amante distante. E foi assim todos os finais de noite, até que a terra se transformou novamente na Pangeia, quando não havia essa divisão entre continentes. E no meio desse emaranhado de terras Péricles viajou no tempo, provocando a erupção de mil vulcões até que a lavra do amor queimou para sempre os corpos…. Brenda Mar(que)s Pena durante lançamento de DESnaturalizados. Foto: Marja Marques *Miniconto do meu livro (DES)naturalizados. Exemplares à venda por R$ 15,00 no Coletivo Contorno (avenida do Contorno 4640 – sala 701, bairro Funcionários) e na Casa Leopoldina (rua Leopoldina 357, bairro Santo Antônio). Peça também pelo e-mail: co…