Poeta Affonso Ávila é enterrado esta tarde em Belo Horizonte



Por Brenda Marques Pena
Presidente do Instituto Imersão Latina

O que poderia ser colocado na lápide do poeta Affonso Ávila enterrado hoje em Belo Horizonte? Com certeza seus familiares teriam uma sugestão, os amigos outra, mas "Aqui jaz um dos principais poetas brasileiros contemporâneos" seria uma boa forma de registrar a marca que este ilustre homem deixou para a posteridade. Tive o prazer de conhecê-lo, por meio da sua filha Cristina Ávila, seguidora dos caminhos do pai na arte da escrita e das pesquisas do barroco mineiro. 

O Jornal Folha de São Paulo assim noticiou na tarde desta quarta-feira. 26 de setembro, dia do seu falecimento:

Poeta Affonso Ávila morre aos 84 anos


O poeta, ensaísta e pesquisador mineiro Affonso Ávila morreu nesta quarta (26) em Belo Horizonte (MG). Ele teve uma parada cardíaca em casa. Segundo a família, ele tratava um enfisema pulmonar e estava com a saúde bastante debilitada.

Considerado um dos mais importantes poetas brasileiros contemporâneos, ele publicou neste ano o livro "Égloga da Maçã" (ed. Ateliê Editorial). É autor de, entre outros, "Discurso da Difamação do Poeta" (1976) e "O Visto e o Imaginado (1990), além de diversos livros sobre o barroco mineiro.

Em 2007, ganhou o Prêmio Jabuti de poesia pelo livro "Cantigas do Falso Alfonso El Sábio".


Como ensaísta e poeta, sempre participou das vanguardas artísticas. No começo dos anos 1960, aproximou-se do grupo de poetas concretos de São Paulo. No mesmo período, colaborou na revista "Invenção", fundada pelo grupo concretista paulista e dirigida por Cassiano Ricardo, Décio Pignatari, Mário Chamie, Haroldo e Augusto de Campos, entre outros.

Ao lado do poeta Affonso Romano de Sant'Anna, organizou a Semana Nacional de Poesia de Vanguarda, realizada na Universidade Federal de Minas Gerais, em 1963.
"Affonso Ávila foi uma referência da poesia feita em Minas. A revista "Barroco" [publicação cultural que Ávila editou em Minas] fez história", diz Sant'Anna.

Nas décadas de 1970 e 1980, dedicou-se a atividades de levantamento e conservação do patrimônio artístico e arquitetônico das cidades históricas mineiras. Foi um dos criadores do Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais.

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