Pular para o conteúdo principal

6 anos Imel: Instituto Imersão latina lança nesta noite livro sobre movimento Tropicalista


Tropicália é desvendada em depoimentos de seus principais personagens

O livro “Tropicália: Um Caldeirão cultural”, de Getúlio Mac Cord, será lançado em Belo Horizonte essa semana, no dia 4 de novembro, sexta-feira, a partir das 19 h, na Livraria Mineiriana, Savassi. O lançamento faz parte da programação do projeto “Integrando artistas e diversidades”, promovido pelo Instituto Imersão Latina que completa seis anos de atividades e escolheu o Tropicalismo como tema das suas comemorações.

A obra, além da pesquisa do autor, traz uma coletânea de depoimentos onde desfilam personalidades como Rogério Duprat, Jorge Mautner, Jards Macalé, Capinan, Guilherme Araújo, Sérgio Dias, Sérgio Ricardo, José Ramos Tinhorão, Caetano Veloso, Gilberto Gil e Tom Zé. Todos personagens que viveram os bastidores de um dos maiores movimentos culturais do país.
No ano de seu 43º aniversário, a Tropicália é homenageada por essa obra que promete remexer com crenças e mitos sustentados até os dias de hoje. Segundo o autor, o Tropicalismo, embora tenha sempre sido associado à política, foi em sua essência um movimento cultural a altura da Semana de 22 e do movimento antropofágico de Oswald de Andrade. “Havia sim uma insatisfação com a ditadura e os horrores dos militares na época. Mas a Tropicália ultrapassou essa questão. Foi além. Tratou de repensar a nossa cultura, uma reflexão cultural 40 anos depois da semana de 22”, afirma Mac Cord.

Para o cantor, compositor e músico Tom Zé que assina o prefácio do livro além das revelações dos artistas participantes e de coadjuvantes expressivos, o tema foi tratado com uma clareza orteguiana, pinicando o leitor com a vontade de saber mais na próxima página. “Seu estilo polidamente antitropicalista, de abridor de cortinas, acende essa curiosidade providencial. Estas informações são um serviço de utilidade pública, leve abrir de porta sobre fatos adormecidos, bem-vindo num país que não tem como coisa nobre o conhecimento de si próprio”, afirma.
Para Getúlio Mac Cord, autor do livro, o movimento tropicalista estava em sintonia com as idéias que se formavam no meio cultural brasileiro da década de 60. “Diretores de teatro, cinema, artistas plásticos e músicos geraram férteis debates. Isso criou um momento rico de questionamentos com a descoberta de uma linguagem da arte brasileira. Essa linguagem incorporava tudo que havia no Brasil, mais os acontecimentos da cultura mundial, incluindo a integração com a cultura latino-americana”, afirma.

Personagens analisam movimento

Enquanto os holofotes sempre se concentraram nos baianos Caetano Veloso, Gilberto Gil, Tom Zé, entre outros, considerados os líderes do movimento, outras figuras significativas tiveram participação efetiva e apresentam na obra um outro olhar sobre tudo o que aconteceu. Jards Macalé, por exemplo, afirma ter havido um grande mal entendido. “Eu gravo pouco porque determinadas pessoas das gravadoras até hoje acham que nós, os ditos malditos, não somos comerciais. Eu, Jorge Mautner, Luís Melodia e Sérgio Sampaio somos considerados malditos”, desabafa, acrescentando que na Tropicália houve muito mais profundidade na questão de mudanças de valores e costumes do que qualquer outra coisa.
Outro que esboça uma visão peculiar é José Ramos Tinhorão. Para ele, as pessoas que se comprometeram com música, universo sonoro etc, como Caetano Veloso, Gilberto Gil, Os Mutantes e outros, eram pessoas muito voltadas para uma atualização que as inserisse dentro de um contexto da música comercial, sim, estrangeira, sim, mas de bom nível. “Eles, é claro, entrariam em choque, como entraram, com a chamada “ala nacionalista”, que eles acusavam de tradicionalista, de estar trabalhando em cima de coisas que não tinham futuro, que tudo não parava, que o mundo era uma aldeia”, diz.

Já para Guilherme Araújo, a Tropicália foi além, tendo uma ligação direta com a história mundial da época. “Eu acho que essas coisas não podem ser criadas, inventadas numa mesa. Havia um momento propício à música popular no mundo inteiro”, afirma o empresário musical.
De acordo com Rogério Duprat, o interesse era de uma música coletiva e a música mais coletiva era aquela relativa à cultura de massa. “Então eu, Júlio Medaglia e Cozzella, depois de conversarmos muito, especialmente com o Décio Pignatari, caminhávamos rumo à cultura de massa. E esta cultura aos poucos foi aparecendo através do rock de Roberto Carlos, da criação da Jovem Guarda, e depois pelo talento de um time que tinha que nos procurar: os baianos”.

Serviço:
Lançamento do livro “Tropicália - Um Caldeirão Cultural”, de Getúlio Mac Cord,
Data: 04 de novembro
Local: Livraria Mineiriana – R. Paraíba, 1419 - Savassi
Horário: a partir das19h
Entrada Gratuita

- Tropicália – “Um Caldeirão Cultural” (Editora Ferreira, Rio de Janeiro, 2011, R$ 59,00)

Contatos para entrevistas: (31) 9678-8209 Adriana Borges
www.imersaolatina.blogspot.com

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Tropofonia do IMEL ganha prêmio Roquette Pinto de rádio-arte!

"É com muita satisfação que a ARPUB e o MinC informam que o projeto Tropofonia: um laboratório de sons e sentidos, proposto pelo Instituto Imersão Latina - IMEL foi selecionado para receber o Prêmio Roqutette Pinto de Fomento à Produção de Programas Radiofônicos, na categoria rádio-arte/experimentação sonora."

COMISSÃO DE SELEÇÃO DO I PRÊMIO ROQUETTE- PINTO
ARPUB - Associação das Rádios Públicas do Brasil

"Nós do Instituto Imersão Latina (IMEL) e do Tropofonia recebemos esta notícia hoje e agradecemos a todos que participaram desse processo de construção coletiva do projeto até aqui. O programa Tropofonia agora será disponibilizado para circular pelas rádios comunitárias e educativas de todo o Brasil. Que essa onda se perpetue por todos os ares da América Latina!"
Brenda Marques Pena, Presidente do Instituto Imersão Latina

A Comissão de Seleção do I Concurso de Fomento à Produção de Programas Radiofônicos - Prêmio Roquette-Pinto foi composta pelos membros:

Patrick Torqua…

Os Grandes projetos na Amazônia e seus impactos

“Realizar uma grande aliança dos quem tem modos de vida ligados a terra, as águas e as florestas, povos indígenas,comunidades de camponeses e ribeirinhos e demais entidades sociais que sofrem os impactos dos grandes projetos na Amazônia e de quem se solidariza com eles, para estabelecer a resistência a diversos níveis, local, regional, nacional einternacional”, é o que sugere uma das conclusões do Seminário Internacional de Grandes Projetos na Amazônia e seus Impactos. As conclusões do Seminário foram publicadas no site do Cimi no último dia 6.


Eis a carta final do encontro:

Nós, membros de Movimentos Sociais e Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira, Peruana e Boliviana e do Conselho Missionário Indigenista – Cimi, reunidos no “Seminário Internacional de Grandes Projetos na Amazônia e seus Impactos”, nos dias 2, 3 e 4 de junho de 2010, na cidade de Rio Branco, estado do Acre,

Considerando:

1) Que os grandes projetos da IIRSA(Iniciativa para Integração da Infra-Estrutura da América …

De volta à Pangéia: um dos contos DESnaturalizados de Brenda Mar(que)s Pena do Imersão Latina

De volta à Pangéia* Quem sabe a arte console hoje todos os corações solitários carentes da real beleza muda dos materiais e cores dos sonhos, como intocáveis desejos do querer. Esse era o último apelo de Péricles: viver um deja vu de emoções. Assim as lembranças tomavam o chá das onze com ele todos os dias, como se cada gota tivesse o gosto de um amigo ou amante distante. E foi assim todos os finais de noite, até que a terra se transformou novamente na Pangeia, quando não havia essa divisão entre continentes. E no meio desse emaranhado de terras Péricles viajou no tempo, provocando a erupção de mil vulcões até que a lavra do amor queimou para sempre os corpos…. Brenda Mar(que)s Pena durante lançamento de DESnaturalizados. Foto: Marja Marques *Miniconto do meu livro (DES)naturalizados. Exemplares à venda por R$ 15,00 no Coletivo Contorno (avenida do Contorno 4640 – sala 701, bairro Funcionários) e na Casa Leopoldina (rua Leopoldina 357, bairro Santo Antônio). Peça também pelo e-mail: co…