Educação na América Latina: 100 anos da Reforma de Córdoba é tema das Jornadas Bolivarianas


Conferências, debates e apresentação de trabalhos acontecem de 15 a 17 de maio, na UFSC

Quando em 1918 os estudantes da Universidade de Córdoba se levantaram em rebelião exigindo uma nova forma de ser universidade iniciava um novo tempo no ensino superior da América Latina. O protagonismo estudantil colocou abaixo velhas práticas, rompeu com o colonialismo cultural, e inaugurou o tempo da autonomia, do governo compartilhado, da extensão universitária e de democracia dentro das instituições. Foi um movimento que mudou não apenas o ensino universitário na Argentina, mas incendiou e influenciou toda a América Latina.
Para celebrar os 100 anos desse momento estelar na vida universitária latino-americana as Jornadas Boliviarianas de 2017 dedicarão os debates ao tema Educação. Afinal, se no distante 1918 os estudantes se levantaram pelo direito de dirigir junto com professores e técnicos a vida universitária, hoje seguimos vivendo outros levantes dos estudantes, universitários e secundaristas, na batalha por uma educação de qualidade e democrática. Isso significa que as bandeiras de Córdoba ainda seguem sendo bandeiras, algumas delas ainda longe de se concretizar.

No Brasil, as reformas no ensino médio e as propostas do governo federal para a universidade tornam esse tema um ponto chave no debate nacional. Para tanto o IELA se vale da história e parte da reforma de Córdoba de 1918 que reivindicou desde as entranhas da universidade de extração colonial, bandeiras da autonomia universitária, o fim da cátedra, a renovação dos métodos pedagógicos, o fim do colonialismo mental e o fim da escolástica como norma no ensino.

Neste momento da história brasileira em que o país segue vivendo na dependência científica e tecnológica e com grande isolamento social da experiência universitária brasileira – a despeito dos movimentos de inclusão social como as ações afirmativas e os processos seletivos menos influenciados pelo vestibular – é decisivo recuperar a modernidade da Reforma de Córdoba, estudar suas reivindicações, observar as forças sociais que a determinaram, entender seu sentido de atualização histórica e considerar a atualidade de suas reivindicações para a afirmação de uma universidade capaz de superar os grandes problemas nacionais.
Já estão confirmados para essa XIII Edição a venezuelana Trina Aracelis Marinque, o cubano Pedro Martínez, o equatoriano Luís Fernando Sarango Macas, o mexicano Guillermo Favela e os brasileiros Ivo Tonet, Nildo Ouriques e Diógenes Moura Breda. Mas outros nomes devem se juntar ao debate. 

As jornadas Bolivarianas acontecem de 15 a 17 de maio, na UFSC, conformam o evento mais importante do IELA e ao longo desses anos já discutiram os temas mais candentes de nuestra América.

JB I - Bolivarianismo e poder popular na Venezuela (2004), JB II - O mapa da crise (2005), JB III - Teoria social e eurocentrismo: a insurgência do pensamento crítico (2006), JB IV - Nações e nacionalismo na América Latina (2008), JB V - A Política dos Estados Unidos para a América Latina (2009), JB VI - O socialismo na América Latina (2010), JB VII - O Imperialismo e cultura na América Latina (2011), JB VIII - Caribe: espaço estratégico na América Latina (2012), JB IX - Megaeventos esportivos: impactos, consequências e legados na América Latina (2013), JB X - América Latina e os 40 anos da Teoria Marxista da Dependência (2014), JB XI - Literatura e Política na América Latina (2015), JB XII - Os rumos da crise na América Latina (2016).

Mais informações na página do IELA: www.iela.ufsc.br

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