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Em Sussuarana a juventude combate a violência através da poesia e da arte

Por: Valdeck Almeida de Jesus


A violência contra as mulheres, idosos e adolescentes também chocam a população, que denunciam através de caminhadas e atos de repúdio. Em Sussuarana a juventude combate a violência através da poesia e da arte. O Sarau da Onça e Grupo Recital Ágape têm realizado oficinas de poesia, teatro, grafite, dança, saraus, apresentações de hip hop, que une jovens do bairro e adjacências. A caminhada desse domingo é mais um trabalho em conjunto, com a finalidade de mostrar a cultura do bairro e lutar contra todo tipo de discriminação e violência.

A Caminhada Contra Violência e Extermínio de Jovens com o lema “Chega de Violência” é neste domingo,  a partir das 9 horas, no bairro Sussuarana, em Salvador-BA. A manifestação, promovida pela Pastoral da Juventude, com apoio do Cenpah (Centro de Pastoral Afro Padre Heitor), Grupo Recital Ágape e Grupo de Apoio às Causas Culturais e Sociais (GACCS).

A concentração será em frente ao Colégio São Daniel Comboni e seguirá pela Avenida Ulisses Guimarães até o final de linha de Sussuarana, com cartazes, palavras de ordem, apresentações artísticas e culturais focadas em denunciar o desrespeito à vida, contra a violência e a favor dos direitos humanos.

O evento faz parte de articulação da Campanha Nacional contra a Violência e o Extermínio de Jovens. A Bahia ocupa um vergonhoso e triste lugar na lista dos estados que mais violentam os direitos humanos de negros e negras da periferia. Diariamente são noticiados casos de desrespeitos ao direito de ir e vir, dentre outros, a exemplo do ocorrido com o jornalista Eduardo Machado e sua namorada Larissa Fulana de Tal, nas imediações da Calçada, que voltavam da praia com os amigos Willian Costa e Cida Pereira no dia 23 de junho, no bairro da Calçada. Ao tentarem tomar táxis para voltar pra casa, houve recusa dos taxistas, o que gerou um debate e intervenção da polícia militar que prendeu os dois rapazes e circulou por mais de duas horas pela cidade. Enquanto isso, as jovens recorriam a uma rede de contatos para denunciar o desaparecimento dos companheiros que foram localizados na delegacia de flagrantes e soltos por intermediação da defensora pública Vilma Reis. Por conta desse lamentável episódio, um grupo de entidades e ativistas estão se reunindo para protestarem em breve em ato contra a discriminação e a violência, bem como tomar providências judiciais e de políticas públicas a fim de exigir reparação e levantar debate sobre o assunto.

Este, infelizmente, não foi o primeiro e se espera que tenha sido o último caso de agressão que, muitas vezes, termina com o desaparecimento de pessoas e assassinatos, a exemplo do caso Geovane Santana, ocorrido no mesmo bairro Calçada, em 2014; a chacina dos treze jovens na Vila Moisés, no Cabula, em 2015, em Salvador; casos nacionais como o de Amarildo e Douglas, amplamente divulgados pela mídia do sul. De acordo com dados estatísticos publicados no site das Nações Unidas – ONU Brasil, mais de 70% das mortes por arma de fogo são de jovens negros das periferias, com idade entre 15 e 29 anos.


Serviço: 
O que: Caminhada contra a violência e extermínio de jovens
Onde: Em frente ao colégio Daniel Comboni, Sussuarana
Quando: 17 de julho de 2016, a partir das 9 horas

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