Enamorados

























Por Fernando Moura Peixoto (ABI 0952-C)

No Brasil o Dia dos Namorados é uma data comemorativa de caráter comercial. Historicamente sua origem remonta a frei Fernando de Bulhões (1191 – 1231), português nascido em Pádua, que enfatizava nas pregações religiosas o valor do amor e do casamento. Em virtude disso, Antônio de Lisboa (ou Antônio de Pádua), que viveu na virada da Idade Média em Lisboa, recebeu fama de ser um “santo casamenteiro”após sua canonização pela Igreja Católica.
Véspera do Dia de Santo Antônio (“O Casamenteiro”), 13 de junho, escolheu-se o dia 12 para a habitual manifestação de troca de cartões, flores, presentes e lembranças entre os apaixonados. A ideia partiu do publicitário João Dória (1919 – 2000), um baiano de Salvador, da agência Standard Propaganda, em São Paulo, contratado em 1949 pela direção da loja “A Exposição Clipper” para criar alguma coisa que impulsionasse as vendas, sempre em queda durante o mês que precede as férias escolares de julho. O mote da campanha expressava a ideia de que nem só de beijos vivia o amor, ou que um verdadeiro amor não se provava apenas com beijos. O modismo iria pegar mesmo somente dez anos depois.
Nosso poeta maior, Carlos Drummond de Andrade (1902 – 1987), mineiro de Itabira, disse, em “Declaração de Amor – Canção de Namorados” (livro de 27 poemas selecionados pelos netos Pedro Augusto e Luís Maurício), que o Dia dos Namorados para ele era todo dia: não havia dias determinados para se amar noite e dia.
 Já outro luminar de nossas letras, o jornalista e dramaturgo Nelson Rodrigues (1912 – 1980), pernambucano do Recife, afirmava que “o amor é eterno; se o amor acabou é porque não era amor”.
 Mas eu concordo plenamente com mestre Drummond: “O dia dos Namorados/ para mim é todo dia./ Não tenho dias marcados/ para te amar noite e dia. // O dia 12 de junho,/ como qualquer outro, diz/ (e disso dou testemunho)/ que contigo sou feliz.”
*Nas fotos de Fernando Moura Peixoto se vê em arte, cliques de demonstrações de afeto e arte urbana, registros das ruas de Botafogo, Copacabana e Laranjeiras no Rio de Janeiro.

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